O que impressiona em primeiro lugar num cigano é o seu olhar. Nem o vestuário, nem a tez, nem a língua e os costumes denunciam melhor o cigano do que os seus olhos e o olhar. Os olhos são escuros, sobretudo na mulher, e largamente fendidos. É impossível descrever o olhar. De Dumas, a Merimée, a Garcia Lorca, todos disseram verdade. O brilho do olhar é exaltado, sobretudo nas raparigas. É ao mesmo tempo inquieto, penetrante quando se fixa, móvel, constantemente espiando, pois é a arma mais preciosa do cigano, que lhe permite ver e prever. Reflete, ao mesmo tempo, a doçura e a selvageria, uma imensa bondade e uma crueldade sem limites. Um olhar sempre fugidio, mas apesar disso se fixa aqui e acolá, num certo instante. Um olhar triste e altivo, amoroso e duro. Um olhar cheio de paixão, mas duma paixão contida, retida entre as pálpebras que deixam passar um estilhaço metálico, magnético, saltando de olhos paradoxalmente enevoados, velados, coalhados como mortos.
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